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Cidade

Escola em Salvador proíbe manifestações políticas, mas distribuiu bandeiras do Brasil às vésperas do dia 7

Dono da escola negou que bandeiras, entregues um dia antes do ato de Bolsonaro, fossem um apoio ao presidente

[Escola em Salvador proíbe manifestações políticas, mas distribuiu bandeiras do Brasil às vésperas do dia 7]
Foto : Reprodução

Por Tailane Muniz no dia 13 de Setembro de 2021 ⋅ 13:04

Os professores do Colégio Gregor Mendel, localizado no Loteamento Aquárius, na Pituba, foram surpreendidos, em agosto, por um documento que, de cara, soou como censura. O comunicado, assinado pelo dono e diretor-geral, Leôncio Souto, diz que a instituição não aceita, dentre outras formas de expressão, o uso de "camisas, broches ou qualquer tipo de insinuações ideológicas". Às vésperas da terça-feira (7), feriado da Independência, em meio à onda de manifestações favoráveis ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), contudo, uma funcionária foi vista distribuindo bandeiras do Brasil a técnicos da unidade.

Coordenador-geral do Sindicato dos Professores no Estado da Bahia (Sinpro), Alisson Mustafá disse ao Metro1, nesta segunda-feira (13), que, ao determinar as proibições, o colégio vai de encontro à Constituição. "Inclusive, rompe princípios educacionais". Segundo Alisson, o ponto central, para o sindicato, "é o cerceamento do debate político vomo parte da formação". Em carta enviada aos professores, ele alerta quanto ao "teor de censura do conteúdo". Embora tenha data de junho, o documento só chegou aos professores e sindicato em agosto, com o início das aulas na modalidade híbrida. 

Na ocasião, os educadores foram orientados a assinar, mas, contrários, se recusaram. Após boatos de que havia a possibilidade de demissão, no entanto, alguns acabaram atendendo às exigências do informativo - que diz ainda que se coloca contra o "doutrinamento, seja político, ideológico ou partidário" nas salas de aulas. 

Dono do Gregor Mendel, Leôncio Souto negou à reportagem que bandeiras tenham sido distribuídas com a sua autorização, mas confirmou a autenticidade do documento direcionado aos professores. Nas palavras de Leôncio, "a bandeira do Brasil não é de Bolsonaro". Ele disse ainda que não costuma relacionar o símbolo ao presidente - ainda que grande parte dos apoiadores se utilize da bandeira para ir às ruas em defesa de Jair. 

"Eu recebi [as bandeiras] na sinaleira, mas coloquei no meu carro e no do meu filho, não distribuí. Em breve vou colocar na escola. Por acaso, Bolsonaro é o único patriota do Brasil? Não é", justificou Leôncio, ao negar ameaças de demissão. Quanto às exigências feitas no comunicado, reforçou que não aceita que os educadores de sua instituição utilizem a escola para debater assuntos políticos. "Nós não aceitamos o professor vir para a escola fazer propaganda eleitoral, doutrinar o estudante", se limitou a dizer.

'Afastar alunos do debate'
Presidente do Sinpro, Alisson diz que, para educar, o professor necessariamente vai tocar em questões políticas em determinados momentos. "Aquilo rompe com preceitos constitucionais do Brasil. Não existe você afastar o estudante do debate político", reforça. O professor comenta também que quando se fala em política, é preciso estar atento para o fato de que até mesmo lecionar "é um ato político". 

O documento é taxativo ao proibir também a citação com nomes de personalidades políticas ainda que não se trate de período de eleições. Para justificar a série de regras, o colégio diz que respeita "a posição de cada um" e, por isso, quer "reciprocidade".

Por fim, Alisson defende que a educação "perde o sentido de ser" quando tem as possibilidades limitadas. Ele complementa que, embora "muitos acreditem erradamente que pensamento se transmite", a verdade é que a construção da identidade ideológica e política é construída a partir do espaço que cada indivíduo ocupa em sociedade.

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